Cordel do amor que tinha de ser



Cordel escrito sob encomenda da Editora Fapi para integrar a coleção Em Foco - Educação para Jovens e Adultos, lançada em 2008 pela mesma.

Cordel do Amor que Tinha de Ser


Essa é a história de um casamento
- Como qualquer outro, você pode dizer
Mas não se engane meu amigo
Leia tudo e espere para ver
O amor entre um mineiro e uma alagoana
Um amor que tinha de ser.

Num bairro distante de uma cidade grande
Meninos e meninas um novo amor começou
Em mais um dia um tanto tumultuado
Para surpresa dele ela chegou
Ansiosa por seu primeiro dia de trabalho
Entre tanta gente um namorado encontrou.

Então era preciso que cada um
Fizesse sua parte e paquerasse
Ela não sabia o que fazer para que ele
Na carona ao seu lado se sentasse
Afinal sem ele ao seu lado
Nada havia nessa vida que a contentasse.

Ele já muito esperto se sentava atrás
De olho no retrovisor onde podia ver
Os olhos da amada atentos ao trânsito
Que sua estratégia parecia não perceber
Assim ele esperava por uma olhadela que
Quando aconteceria era impossível de prever.

Então os dias se passaram e
O romance lento não explodia
E no trabalho para se aproximarem
Sabidamente usaram a tecnologia
Com as mensagens eletrônicas galantes
A chama do namoro acendia.

E então chegou o dia do inesperado
E num domingo que devia ser
A moça e o rapaz fizeram o esperado
Sentimentando em teclas pelo ICQ
Consentiram o que era recíproco
E do amor do outro vieram saber.

Na segunda a moça e o rapaz tinham
Os corações derretidos como queijo
E mais ajeitados que nunca
Passaram todo o dia fora do eixo
Imaginando-se no caminho de casa
Quando aconteceria o primeiro beijo.

Depois desse beijo aumentou
O querer de um pelo outro
E o moço começou a se perguntar
Que vontade é essa que me deixava louco
Afinal o tempo que passavam lado a lado
No trabalho passou a ser pouco.

E um dia foi convidado por ela
Para no fim da semana ir dançar
E sem pensar em outra coisa
Disse que aceitava sem titubear
Aquele teria que ser o baile
Em que namoro ia deslanchar.

E durante a dança percebeu
Que pra ter paz tinha que tomar decisão
De braços dados reuniu forças
Pra resolver a incomodação
Jogou ela pra trás e puxou pra mais perto
E pediu o namoro no meio do salão.

E a música falava para a moça ouvir
Que do baile ele era o rapaz mais belo
E ela só pode reparar que no momento
Seu coração dizia "sim, eu quero"
E todos os ritmos invadiram seus corações,
Do tango ao rock, tcha-tcha-tcha e bolero

Então passaram a namorar sério
Com encontros na casa da moça
Sentados no banquinho do portão
Sem pensar donde daria essa cousa
Apenas viviam sentados ali
Um sentimento fino como louça.

A vontade de ficarem juntos era muita
Mas a vigilância era dura na queda
Meia-noite era hora de tomar rumo
Pois na casa se fechava a janela
E no início do ano o melhor aconteceu
Pois pro Rio ele viajou com ela.

E aconteceu a viagem Bossa Nova
Desse amor que tinha que ser
E após desfazer as malas da viajem
Chegou o dia dela dizer
Surpreso o moço ouviu ela falar
– Acho que vamos ter um bebê!

Será que estou encrencado?
Lhe perguntava uma pulga matreira
O rapaz ficou nervoso
E os pensamentos sem eira nem beira
Afinal mexeu com filha dos outros
Aqui se resolve na peixera.

A moça correu para a farmácia
Ainda sem saber o que ia ser
E para o teste ter maior eficácia
Esperaria até o amanhecer
Foi acordada às cinco da manhã
Ao telefone o rapaz aflito queria o parecer

Feito o teste e a cegonha a caminho
O dia aconteceu com correria
O rapaz andando de táxi se aconselhava
Perguntando ao motorista o que faria
"Antes alguém chegar que partir"
Respondeu o chofer com sabedoria.

E então chegou a hora de todos saberem
Que novos vovôs e vovós estavam a caminho
Titios e titias também estavam na esteira
Para receber um bebê com carinho
A hora era de saber se o enxoval era azul ou rosa
E se ia brincar de boneca ou carrinho.

E no domingo de uma noite chuvosa
A moça disse para todos – É agora
Correram para o hospital e bem depressa
Pois essas coisas não têm hora
E após meses esperando ouviram da médica
– Olhem o menino, vejam como chora.

Rapaz e moça viraram papai e mamãe
Criando uma família de afortunados
Vivendo um daqueles contos de fraldas
Com os brinquedos espalhados
E a cada dia que vivem descobrem
O quanto cada vez mais são bem amados.

E essa é a história de uns amigos meus
É certo que você os vai reconhecer
Pois eles também são amigos seus
E é isso que pude escrever
Da história de um amor meio bossa
Amor que tinha de ser.